| Prof.
Ms. Pedro Luiz de Oliveira Costa Bisneto Escritor, Pesquisador e Jornalista |
|||
| |
|||
Publicações Científicas |
|||
Artigo Por
Pedroom Lanne A Terceira Guerra Mundial Seguindo a linha de análise que estabelecemos neste blog desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, nós já qualificávamos os confrontos na Europa como parte de uma guerra mais ampla, a qual descrevíamos como a Terceira Guerra Mundial. Porém, somente a partir da agressão norte-americana e israelense ao Irã, iniciada em 28 de fevereiro último, jornalistas e analistas militares que igualmente acompanham o cenário bélico da geopolítica mundial têm sido unânimes em afirmar que a Terceira Guerra começou para valer. Em outras postagens, quando analisamos a Tempestade de Al-Aqsa, em 07 de outubro de 2023, ocasião em que o grupo político Hamas bancou uma incursão no território palestino ocupado e fez mais de 250 reféns entre civis e militares israelenses; do massacre de Gaza e das operações conjuntas envolvendo Israel, Estados Unidos (e a assistência dos países da OTAN) por toda a Ásia Ocidental (Oriente Médio), incluindo a operação conjunta contra os Houthis, do Iêmen, e a queda da Síria, de Bashar al-Assad, pelas forças do HTS – Hay’at Tahrir al-Sham (um braço da Al-Qaeda controlado por EUA/Israel) –, nós já observávamos que todos esses movimentos tinham como objetivo final a derrubada do Irã. Só falta o Irã A guerra
contra o Irã é o capítulo final da campanha iniciada
pelos Estados Unidos, em uma agenda conjunta com Israel, na assim chamada
“Guerra ao Terror”, inaugurada pelo governo de George W. Bush,
em outubro de 2001, a partir da invasão ao Afeganistão e
a ocupação do país por duas décadas, como
resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 (que até hoje
suscitam a forte suspeita de que tenham sido ataques de bandeira falsa
para justificar a campanha militar empregada a seguir). A “Guerra
ao Terror” visava derrubar sete países em cinco anos: Líbia,
Iraque, Sudão, Síria, Somália, Líbano e Irã.
Um objetivo declarado pelo ex-comandante supremo da OTAN, general Wesley
Clark, ainda no mês dos atentados às Torres Gêmeas
e ao Pentágono. Coincidentemente, países alvos de população majoritariamente muçulmana e de grande importância na cadeia mundial energética de abastecimento de petróleo e gás natural, que abrigavam governos hostis aos interesses ocidentais nesse setor, ou seja, que mantinham uma política nacionalista na gestão de suas riquezas energéticas. A guerra não duraria cinco anos como imaginava o general Clark, e os objetivos norte-americanos começariam a azedar em 2015, quando a Rússia interveio na Síria, impedindo a queda de Bashar al-Assad. A Síria só seria derrubada em 2024. Na trilha dos dominós caídos, à queda da Síria, a única peça ainda de pé que resta no tabuleiro é o Irã. O último obstáculo para que a aliança entre Israel e Estados Unidos obtenham o controle completo do norte da África e da Ásia Ocidental. A queda do Irã também acarretaria no desmantelamento do chamado “Eixo da Resistência”, formado por grupos apoiados pelos persas, especialmente o Hamas, na Palestina, o Hezbollah, no Líbano, e os Houthis, no Iêmen, além de outros grupos muçulmanos xiitas no Iraque e por toda a região. Todavia, quando chega a vez do Irã, o conflito não acontece mais no âmbito da Guerra ao Terror, e sim da Terceira Guerra Mundial. Por isso, essa nova conflagração na Ásia Ocidental atinge não apenas a nação persa, também ameaça os interesses russos em manter a estabilidade no sul do Cáucaso, bem como os interesses da maior força envolvida neste conflito, a China. Conforme revelamos anteriormente, a Terceira Guerra é encampada por dois eixos muito claros: o ocidental, liderado pelos Estados Unidos, Inglaterra, Israel e União Europeia (que nos faltou citar anteriormente); e o eixo oriental, liderado por China, Rússia, Irã e Coreia do Norte. O eixo ocidental ainda conta com a OTAN e os Estados vassalos do Extremo Oriente, entre os mais importantes constam Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. O eixo oriental conta com a simpatia de outros Estados na Ásia, Oceania e África. Nas Américas Central e do Sul, países simpatizantes com o eixo oriental vêm sendo suprimidos, a se notar o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no princípio do ano, e o controle exercido por Washington sobre Caracas, desde então. Nesse sentido, a queda de Caracas inflou a confiança do governo de Donald Trump, no intuito de repetir a dose contra o Irã e derrubar o regime do Aiatolá Ali Khamenei. Com a Rússia ocupada na Europa enfrentando a OTAN em solo ucraniano, a hipotética queda do regime iraniano, o subsequente controle da Ásia Ocidental e a consequente desestabilização do Cáucaso, no sudoeste da Rússia, abrir-se-iam as portas para o eixo ocidental mover mais uma casa no tabuleiro da geopolítica mundial, em prol de seu objetivo final: a queda de Pequim. Dada distribuição no tabuleiro global, evidencia-se a importância estratégica do Irã para ambos os eixos. Justo por isso que apesar de o Irã representar a peça que resta a cair na campanha iniciada com a Guerra ao Terror, ao mesmo tempo representa a fronteira limite que China e Rússia, e o próprio Irã como uma civilização militar que se vê atacada por seus inimigos, não podem permitir que seja ultrapassada. A guerra no Irã é o palco onde a Terceira Guerra se depara com a batalha mais decisiva, travada até o momento, especialmente para os Estados Unidos, cuja hegemonia está em cheque com a ascensão da China. Não a toa, nos bastidores, China e Rússia têm prestado toda a assistência ao Irã no enfrentamento às nações do eixo ocidental, e tendem a intensificar essa ajuda com o desenrolar do conflito. O conflito Irã versus Estados Unidos coloca pela primeira vez duas nações integrantes do eixo adversário em confronto direto. Não é mais uma proxy war, como fora o ataque de Israel, ano passado, na chamada “Guerra dos Doze Dias”. Daí se concluir que a Terceira Guerra Mundial, que em nossa visão havia começado em 2022, está oficialmente inaugurada. Esses mesmos fatores indicam que a guerra contra o Irã – já nomeada “Terceira Guerra do Golfo” pelos especialistas – deve prosseguir, mesmo que haja um cessar-fogo nos próximos dias. E uma vez que a guerra prossiga, a possibilidade do uso de armas nucleares, especialmente por parte de Israel, não pode ser descartado – especialmente ao se considerar a natureza santa do conflito, que explanaremos a seguir. Mais uma vitória do Irã A confrontação na “Guerra dos Doze Dias” já apontava para o cenário atual, em que o recuo de Israel foi meramente estratégico, no intuito de ganhar fôlego para organizar o próximo ataque, desta feita com total apoio dos EUA. Todavia, na prática, esse intervalo surtiu mais efeito para o Irã, que em menos de uma semana de confrontação, derrotou não só Israel e os Estados Unidos, mas colocou abaixo uma política de controle sobre a Ásia Ocidental de mais de 70 anos, instaurada a partir da fundação da ONU, além de minar uma influência que vem desde o domínio britânico na região, após a queda do Império Otomano, na Primeira Guerra Mundial. Isso fica claro ao se observar como Irã vem destruindo sistematicamente bases, radares, data centers, centros de inteligência, embaixadas, aeroportos e grande parte da infraestrutura norte-americana nos países do Golfo Pérsico e nos Estados da região, entre aqueles que fornecem suporte para as forças armadas estadunidenses: Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Jordânia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Bahrein. Nesse último, a situação é tão grave que o monarca, Al Khalifa, precisou abandonar o país e uma revolta popular colocou em risco seu reinado no Bahrein – os sauditas precisaram ajudar, enviando tropas de choque para conter os protestos. São países que jamais ostentarão a mesma riqueza dos dias anteriores à guerra – Catar, Bahrein, EAU. Paraísos fiscais que dependiam da paz e da segurança fornecida pelos Estados Unidos para gerarem sua riqueza – e o comércio de petróleo e GNL, de instante inviabilizado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O caos instalado na região e as incessantes ondas de bombardeios missilísticos do Irã sobre Israel já causaram mais danos ao país hebraico do que na confrontação de doze dias, ano passado; somando-se a impossibilidade dos Estados Unidos de sequer aproximar sua frota naval das águas do Pérsico ou do Golfo de Omã, e de sua força aérea, combinada com Israel, não ter conseguido o controle do espaço aéreo iraniano até a segunda semana de guerra e, não bastasse, terem perdido várias aeronaves e drones de ataque e vigilância nesse curto período; mais de três bilhões de dólares em tecnologia de comunicação satelital e sistemas defensivos destruídos logos nos primeiros dias de combate, e com um custo operacional superior a cinco bilhões por dia (o Pentágono estipulou um custo superior à 50 bilhões de dólares, após uma semana de operações), somado ao fato de o governo Trump não ter atingido seu objetivo de mudança de regime com o assassinato do Aiatolá Khamenei, e sequer possuir um plano de ataque por terra contra o inimigo – isso sem falar nas mortes de soldados norte-americanos e civis israelenses, cujas causalidades totais têm sido censuradas por ambos os países, mas somam-se centenas de centenas –, por fim, além de tudo isso, o regime iraniano continuar de pé e, sobretudo, as forças do país manterem a vanguarda das ações no teatro mais amplo da guerra – contando com um estoque praticamente infinito de mísseis e drones kamikazes –, incluindo os ataques das milícias no Iraque e do Hezbollah, no Líbano, o Irã inflige uma derrota estratégica como os Estados Unidos não sofriam desde o Vietnã. O Tet é coisa do passado, nada se compara a atual contraofensiva iraniana em resposta à agressão conjunta de Estados Unidos e Israel. Novamente, em questão de dias, desta feita enfrentando diretamente os patrocinadores de Israel, o Irã se interpôs à agenda do eixo ocidental. Porém, a vitória não é definitiva. Os adversários ainda possuem muita força para manter a pressão sobre o Irã por um longo período, mesmo diante do colapso da economia mundial que uma guerra prolongada na região acarretará. Aliás, em uma análise mais profunda, o colapso da economia seria um dos objetivos dessa guerra, muito além do controle sobre as reservas petrolíferas e da cadeia de suprimentos da Ásia Ocidental – vital para a economia global. Não por menos o fechamento do Estreito de Ormuz, por parte do Irã, torna-se a questão geopolítica mais periclitante deste conflito para o resto do mundo por completo. A derrota de Trump Ainda há muita gente discutindo de quem teria partido a ordem para atacar o Irã, operação intitulada “Fúria Épica”: Donald Trump ou Benjamin Netanyahu? Quem comanda a política externa dos Estados Unidos, Washington ou Telaviv? A resposta mais próxima da verdade seria nenhum dos dois e nenhuma das capitais; e a mais correta: os lobbies pró-Israel e do Complexo Bélico Industrial norte-americano, cuja capital se endereça em Wall Street, Nova York. Em essência, a guerra é financiada pelo capital dos conglomerados financeiros transnacionais anglo-americanos, que controlam todas as empresas que lucram direta ou indiretamente com a guerra, e buscam quebrar as cadeias globais de suprimento para impedir o avanço da China – e conter a Rússia como potência energética. São grandes fundos de ações, entre os quais, os maiores são Vanguard, Blackrock e State Street (conhecidos como “The Big Three”) e o banco JP Morgan, que controlam os grupos financeiros que compõem o “Deep State” (Estado Profundo) e controlam o orçamento (lobby) das forças armadas, entre eles o Complexo Industrial-Militar, (MIC) o setor de extração de petróleo, gás e mineiração (OGAM), e o grupo FIRE, do setor imobiliário e de seguros. Sem condições de competir com a China no mercado internacional, a única alternativa para o Ocidente liderado pelos EUA é pilhar os sócios da China. Isso pode ser observado na política de total controle da América Latina, com a reafirmação da Doutrina Monroe, que levou ao sequestro de Maduro e ao cerco de Cuba, ainda em andamento. Além desses países, os EUA também retomaram o controle do canal do Panamá, e expulsaram as empresas chinesas que lá operavam. No oriente, o objetivo é minar o avanço das Novas Rotas da Seda chinesas (Iniciativa Cinturão e Rota) e enfraquecer os BRICS+. Não apenas com um ataque direto a um de seus principais membros, o Irã – uma passagem vital para os produtos chineses alcançarem o mercado europeu por terra –, como buscando arrastar outros membros para sua esfera de influência à base da intimidação, como o Brasil e a Índia. A tática é muito simples: como a China domina todas as rotas do comércio mundial, destruam-se as rotas; esta é a política do capital que financia o conflito. Seu ponto inicial de inflexão se deu na Europa, com a guerra da Ucrânia e o pacote de sanções e boicotes contra o mercado de energia russo, e agora com a quebra da cadeia de fornecimento no Golfo Pérsico. A persistir a guerra e o bloqueio do Estreito de Ormuz, as consequências econômicas globais serão devastadoras, sobretudo para o eixo ocidental e o próprio Irã, que vem sendo bombardeado diariamente. Notadamente na Europa, onde já se acumulam as dificuldades inflacionárias ocasionadas pelas sanções à energia russa, a crise será enorme. Nesse momento, o conflito contrapõe a força intimidatória do governo norte-americano em impor a guerra aos seus conterrâneos e aos vassalos europeus, contra a resiliência do Irã em manter Ormuz fechado. Nos dois casos, a crise estará instalada. Outra opção seria o estabelecimento de um cessar-fogo por parte dos EUA e Israel, e a reabertura do estreito, por parte do Irã. Nesse caso, a guerra estará apenas sendo adiada para um terceiro round muito em breve. Ainda assim seria um duro golpe ao eixo ocidental, nesse grande xadrez da Terceira Guerra Mundial. Nesse caso, o caos que o atual conflito no Golfo Pérsico tende a gerar, estaria igualmente sendo empurrado mais para frente. Ao menos até que o eixo ocidental possa se preparar melhor para tentar capitular o Irã. Para o Irã e seus aliados, especialmente a Rússia, igualmente envolvida na guerra, a dimensão desse conflito é existencial. Com a guerra, ambos já estão em crise, de modo que não seria de seu interesse estratégico – especialmente para o Irã que enfrenta diretamente os EUA – conceder uma pausa para seus adversários reagrupem suas forças e planejarem uma nova investida futura. De modo que nada garante, no momento, que o tráfego naval pelo Golfo Pérsico irá se normalizar tão em breve. Com a crise mundial, estaria instaurada uma economia de guerra para todos os países do eixo ocidental, abrindo a oportunidade para os bancos “zerarem” o mercado financeiro, e reiniciarem o processo especulativo à partir do caos instaurado nas finanças mundiais, exaurindo o capital fictício desvalorizado nas últimas décadas e sugando verbas do Estado e de outras fontes – como o narcotráfico –, para financiar a máquina de guerra. O prêmio é a vitória e avanço para o Oriente, capturando os mercados controlados pela China. Endividando seus credores, os EUA também solucionariam a questão de sua impagável dívida interna, que hoje alcança a casa dos quarenta trilhões de dólares. É aí que a confrontação atual começa a ganhar a faceta de Guerra Santa. A Guerra Fictícia Em uma análise
pouco ortodoxa, o professor Xueqin Jiang, um historiador sino-canadense
radicado em Pequim, utiliza a Teoria dos Jogos para prever o desfecho
da guerra na Ásia Ocidental, e a subsequente debacle do eixo ocidental
que aponta para o fim da hegemonia norte-americana nos ditames da geopolítica
mundial. Ao confrontar suas análises com a tática empregada pelo eixo ocidental em sua desesperada tentativa de impedir a ascensão da China como nação-líder do desenvolvimento global – a quebra das cadeias de suprimento –, pode-se afirmar que a Terceira Guerra Mundial em seus dois eixos rivais, trata-se de um confronto entre o capital especulativo de Wall Street, contra o capital estatal chinês, cuja gerência se prova muito superior para trazer desenvolvimento tecnológico e bem-estar social. Sob esse óculo, esta guerra é um confronto do capital privado contra o capital estatal, ou seja, uma guerra entre os ricos e os pobres – ainda que a China não possa mais ser apontada como uma nação “pobre”. Seria um confronto entre os bilionários que controlam os capitais especulativos, contra os Estados nacionais como entidades representativas do poder popular, cuja melhor expressão de sucesso, hoje, é a China, como potência que controla o maior volume de capital produtivo. Porém, ao observar os concorrentes nessa disputa, por um lado temos o eixo ocidental defendendo o capital fictício dos mercados financeiros, por outro, o capital produtivo chinês. Daí advém a “ficção” por trás dessa guerra, onde o capital financeiro anglo-americano, hoje liderado pelo clã de Epstein – um clã de pedófilos formado por bilionários, políticos de alto escalão e figuras de grande influência –, vem financiando guerras sustentadas por narrativas completamente descoladas da realidade, ausentes de um propósito que beneficie os países e os povos que sofrem com as decorrências desses conflitos, apenas para retroalimentar o capital que os financia. Uma guerra bancada por um grupo restrito, que controla a política no eixo ocidental – o chamado “Estado Profundo” – e se alimenta dessa orgia genocida contra as pessoas comuns e as próprias vítimas desse canibalismo financiado por Wall Street. Não por menos, essas elites por trás do clã de Epstein são descritas como “satânicas” por seus inimigos – e o Irã descreve os EUA como “Grande Satã”. Isso explica porque se observa um grupo de jornalistas e analistas atônitos, tentando entender de onde surge o “magnífico” plano de atacar o Irã, assassinar seu líder religioso, enquanto a cúpula governamental estadunidense se limita à justificativas absolutamente fora da realidade. Onde assistimos ao presidente Trump fazer declarações de vitória, perante a mais inequívoca derrota militar sofrida por seu país, possivelmente em toda a história. Mas é fácil deduzir de onde vem a ordem: daqueles que controlam os arquivos de Epstein. Esse clã controla o capital que lucra com a venda de armas, que especula no pregão entre as altas e baixas do mercado de capitais, controla a mídia, as “Big Techs”, as redes sociais e, sobretudo, cria a narrativa que justifica a chacina que promovem, por exemplo, no massacre de Gaza, ou no contínuo suporte à Ucrânia, uma guerra perdida contra a Rússia, na qual mais de mil soldados morrem todos os dias apenas para que o conflito não termine e se possa infligir o máximo de dano aos russos – enquanto os governos europeus sugam o máximo de impostos para sustentar a indústria bélica, cujo capital possui participação anglo-americana superior a 80%. Capazes de alienar a vontade popular que protesta contra a guerra e sofre com a crise, tanto na Europa quanto na América, exigindo a paz na Ucrânia, em Gaza e agora no Irã. Nos Estados Unidos, pesquisas demonstram que mais de 80% da população é contra os ataques ao Irã. O presidente Trump foi eleito pela promessa de paz, que em seu governo não haveriam mais guerras. Não obstante à campanha, Trump já entra para a história como o presidente que mais bombardeou diferentes países desde o George W. Bush, superando Barak Obama, o que demonstra como a classe política não tem controle sobre as decisões mais fundamentais da política interna e externa do país. No campo opositor da Guerra, não há um grupo de bilionários e políticos que possa ser descrito como um clã, embora o clã epsteiniano classifique seus adversários como o “eixo do mal”. No eixo oriental, existe um conjunto de países que lutam para exercer sua autoafirmação e não estão dispostos a fazer concessões que comprometam sua soberania. É a confrontação de um cartel transnacional de bancos que controla totalmente a política no eixo ocidental, contra os estados soberanos do eixo oriental nos quais o capital é controlado, majoritariamente, pelo Estado. São duas visões de mundo distintas, o way of life norte-americano contra quaisquer outras filosofias de gestão que confronte a visão ocidental. O cerne dessa questão é a destruição do poder estatal em detrimento ao poder privado, e aqueles Estados que resistem são tachados de ditatoriais ou autocratas. Do ponto de vista ideológico, trata-se de um confronto de uma visão globalista, que impõe a supressão cultural dos países à cultura norte-americana “democrática hollywoodiana”, contra o nacionalismo e a identidade de cada país e suas próprias expressões culturais. Tomando a religião como uma expressão cultural, observa-se o ataque ao islamismo como um prato cheio para o globalismo destruir a identidade dos países muçulmanos, sendo o Irã um de seus grandes bastiões. Guerra Santa Muitos analistas militares comparam o momento atual da confrontação bélica mundial, a partir do ataque de EUA e Israel ao Irã com a invasão da Polônia pelas forças nazistas de Adolf Hitler, em 1939, embora outros prefiram lembrar de Pearl Harbour, ocasião em que o Japão executou um bombardeio de surpresa à base norte-americana no Havaí, em 1941, tragando os EUA para a Segunda Guerra Mundial. Todavia, é a dimensão escatológica da guerra promovida por Israel que melhor define o confronto mundial em andamento. Nesse aspecto, a guerra atual se parece mais com a Guerra dos Trinta Anos, travada na Europa, no século XVII, entre 1618 e 1648. A Guerra dos Trinta Anos foi uma confrontação de cunho religioso, travada entre católicos e protestantes, em um tempo em que as próprias escrituras sagradas eram interpretadas como a Lei que regia as monarquias que reinavam no período, muito além da fé popular que separava os grupos étnicos e religiosos que se confrontaram. Estima-se que a guerra ceifou mais de oito milhões de vidas, cerca de 10% da população europeia nesse recorte histórico, ou seja, um massacre sem precedentes ou sucessores históricos. Um massacre tão grande, que após os conflitos, as nações se reuniram para criar um conjunto de regras e leis que pudesse prevenir ou impedir novas conflagrações da mesma natureza. Nascia aí o chamado Direito Internacional. Aqui temos a primeira dimensão que remete à religiosidade por trás desse conflito, a partir do instante em que os governos dos Estados Unidos e de Israel abandonam o Direito Internacional e infringem as regras da ONU, ao promoverem sua agenda bélica. Trump chegou a declarar publicamente que os Estados Unidos “não precisam do Direito Internacional”, que a sua própria moralidade é o único Direito que precisa. Além disso, retirou a verba de seu país da ONU e passou a ignorar qualquer resolução da entidade. Ou seja, Trump e seu aliado de Israel, o primeiro-ministro, Netanyahu, retroagiram ao momento histórico anterior à Guerra dos Trinta Anos, quando nenhuma lei internacional regia a interação entre as nações, e as escrituras sagradas interpretadas por seus monarcas compunham a única justificativa para suas ações. Uma motivação santa, que não difere das justificativas do governo israelita ao promover suas ações militares sobre os povos vizinhos da Ásia Ocidental. Circulou pela Internet, logo após o início das hostilidades contra o Irã, um vídeo de um comandante das forças norte-americanas “ungindo” seus comandados para se prepararem para doar suas vidas em uma Guerra Santa contra o Irã. Citando o Livro das Revelações, o comandante afirma que o conflito no Irã levaria o mundo ao Apocalipse previsto na Bíblia, marcando o retorno de Jesus Cristo à Terra. Donald Trump seria o emissário divino encarregado dessa tarefa, afirmou. (https://myemail.constantcontact.com/MRFF-Inundated-with-Complaints-of-Gleeful-Commanders-Telling-Troops-Iran-War-is--Part-of-God-s-Divine-Plan--to-Usher-in-Return-o.html?soid=1101766362531&aid=3OTPFAZxIrI) Em outro
vídeo, é o próprio Donald Trump quem recebe uma benção
no salão oval da Casa Branca, de vários líderes religiosos.
Essas duas situações são bastante emblemáticas
ao que tange a dimensão escatológica dessa guerra, e não
são fatos isolados. Outras denúncias similares de militares
norte-americanos têm vindo à tona, inclusive de soldados
que estão servindo na guerra. Naturalmente,
por parte dos israelitas a interpretação bíblica
é outra. O Apocalipse não precederia o retorno de Jesus
– que não é reconhecido como messias pelos judeus
–, mas revelaria o verdadeiro messias judaico. Mas para que o messias
se revele, pelos ensinamentos da Torá, será necessário
derrubar a Mesquita de Al-Aqsa – um dos locais mais sagrados do
Islã –, localizada em Jerusalém, e construir o terceiro
Templo de Salomão em seu lugar, segundo rezam as profecias. Isso
permitirá aos judeus construírem sua nação,
a “Grande Israel” do rio ao mar, cujo mapa o primeiro-ministro
de Israel chegou a mostrar em uma sessão da ONU. Por mais que isso pareça insano, existe uma elite de judeus sionistas que acreditam piamente nisso, influentes e poderosos o suficiente, não só para angariar uma legião de seguidores capazes de acreditar e realizar esse “plano divino”, mas também para manipular lideranças e crentes evangélicos do cristianismo para se juntar a essa missão, sob a crença de que a guerra em Israel trará Jesus de volta ao plano dos homens. Seriam esses sionistas que controlam os arquivos de Epstein, e haveriam manipulado Benjamin Netahyahu e Donald Trump para iniciarem a guerra contra o Irã. Neste ponto, retornamos à previsão do professor Xueqin Jiang, na qual especula que o governo de Israel bancaria um movimento de bandeira falsa, bombardeando a Mesquita de Al-Aqsa, mas atribuindo o atentado ao governo do Irã. À destruição da mesquita, seguiria a acusação de que o Irã usaria o atentado como pretexto para perseguir e exterminar todos os judeus. Para se defender dos iranianos, Israel teria uma justificativa sagrada para o uso de armas nucleares, criando, assim, o Apocalipse bíblico que libertaria o povo hebreu pela revelação de seu verdadeiro messias. Da parte do Irã, a destruição da mesquita geraria uma Jihad contra a Israel, à qual todos os muçulmanos teriam o dever divino de destruir a nação hebraica. Mas enquanto
essa previsão não se torna realidade, se vier a se tornar
realidade, de prático, temos a mais recente fatwa (lei
islâmica) promovida pelo novo Aiatolá iraniano, Mojtaba Khamenei,
que decretou Jihad contra Israel. Todavia, essa nova lei religiosa se
limita aos xiitas, não às demais vertentes do islamismo,
diferentemente do que seria uma Jihad motivada pela destruição
da Mesquita de Al-Aqsa. Essa é a dimensão escatológica da confrontação atual na Ásia Ocidental, que faz desse conflito uma Guerra Santa. ------------------------------------ Referências COUTINHO,
Marco. O xeque-mate energético de Putin: a crise do Golfo como
arma geopolítica (palestra). Canal da Geopolítica:
11/03/2026 in https://www.youtube.com/live/8CduTG2nrNw
FRIEDE,
Reis. A Ofensiva do Tet (30 de janeiro a 23 de setembro de 1968).
Velho General: 29/03/2023 in https://velhogeneral.com.br/2023/03/29/a-ofensiva-do-tet-30-de-janeiro-a-23-de-setembro-de-1968/ The Palestine Chronicle (site). 10/03/2026 in https://www.palestinechronicle.com/ ------------------------------------ Leia
também:
13 de março de 2026 |
|||
| Comentário(s) - requer uso de popup | |||
Press-Release
08 de Maio de 2021 |
|||
| Comentário(s) - requer uso de popup | |||
Vídeo Vídeo tardio, porém inédito, da banca de defesa da dissertação de mestrado de Pedroom Lanne, "Internet, Jornalismo & Weblog: a Nova Mensagem. Estudos Contemporâneos de Novas Tendências Comunicacionais Digitais", pela Faculdade Cásper Líbero, 2008. Banca: Prof. Dr. Dimas A. Künsch (orientador); Prof. Dr. Sebastião Squirra (debatedor); Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior (debatedor)
Clique aqui para acessar a Dissertação de Mestrado online, completa, em HTML e PDF. Vídeo publicado pela Pedroom TV, aproveite e se inscreva no canal do escritor Pedroom Lanne no Youtube.
|
|||
| Comentário(s) - requer uso de popup | |||
Resenha
01 de Abril de 2021 |
|||
| Comentário(s) - requer uso de popup | |||
Resenha Por Pedroom Lanne – Escritor Introdução Quem assistiu ao filme Indiana Jones e a Caveira de Cristal (Steven Spielberg. EUA – Lucasfilm, 2008) e é um estudioso ou simples curioso em relação a uma teoria que veio a ser conhecida como os Astronautas Antigos – especialmente por uma série de vídeos-documentários veiculada mundialmente pelo canal televisivo History, no Brasil intitulada Os Alienígenas do Passado –, tem perfeita ciência de que, quando se trata da busca por uma evidência arqueológica, pista ou por qualquer artefato que revele um contato extraterrestre com civilizações pré-históricas, nesse campo, Erich Von Däniken é o nosso Indiana Jones. Esse é o Graal que Däniken dedica uma vida de estudos e pesquisas em busca de: a revelação da verdadeira origem e natureza daqueles a quem chamamos de deuses. Uma pesquisa que nasce pelo olhar científico sobre o mais mítico dos conhecimentos: os textos sagrados; que parte da compreensão de que as bíblias de diversas religiões contêm ensinamentos repassados por alienígenas – daí o termo que intitula o programa do canal History. A obra A História Está Errada (São Paulo-SP, Ide@: 2013) é mais um capítulo dessa jornada de Däniken. Antes de partirmos para esta reflexão, vale esclarecer quem é o pesquisador e quem é o curioso por aqui. O pesquisador, evidentemente, é Däniken, o nosso Indiana Jones. Um suíço submetido à educação religiosa em sua juventude, época que datam seus estudos dos textos bíblicos judaico-cristãos e de quando passou a compreendê-los sob a perspectiva da teoria dos astronautas antigos. Uma perspectiva que lhe fez expandir seus estudos religiosos aos campos científicos da astronomia, arqueologia e, principalmente, ao que coincide com o título da obra em questão: a história; além de, considerando o seu objeto de pesquisa, também percorrendo áreas classificadas como paraciência (ciência paralela a outros campos estabelecidos), especialmente a ufologia. Desde então, Däniken desenvolve sua carreira como escritor focando suas pesquisas na ciência que vem ao encontro de seu objeto, um trabalho de uma vida inteira que o leva de um lado ao outro do mundo na busca de conhecimentos e possíveis evidencias que elucidem ou corroborem sua tese. Do aprofundamento nos estudos bíblicos de várias religiões, especialmente as hindus e egípcias, viagens por diversos museus, observatórios e sítios arqueológicos ou de interesse relacionado, passando pelas pirâmides do México e Egito, ruínas incaicas e indianas, além da análise de inúmeros artefatos e mensagens dos povos antigos, dos quais se vale para embasar e argumentar a favor da veracidade de suas ideias ao longo das inúmeras publicações. Däniken traça sua jornada como o autêntico Indiana Jones da vida real em busca da caveira de cristal deixada na Terra há muitos milênios. E o curioso não poderia ser outro se não, entre outros milhares, o autor do presente artigo. Quem não tem pretensão alguma de contradizer, reafirmar ou negar as hipóteses de Däniken com qualquer propriedade científica, apenas refletir a respeito e aproveitar a oportunidade para compartilhar os questionamentos oriundos da busca pela compreensão dos conhecimentos contidos na obra em questão. É também preciso enfatizar que este artigo trata apenas da obra de Däniken mencionada em seu título, ou seja, é uma analise isolada do contexto maior de sua completa bibliografia, que inclui pelo menos 30 livros, inúmeros artigos e incontáveis participações em documentários, expedições e projetos de pesquisa relacionados com os temas que estuda, assim sendo, o presente texto jamais pode ser considerado como uma contribuição ou mesmo uma crítica válida, se é que esse termo exista, à vida ou a obra do autor – até por que não queremos bancar os charlatões, este que é um dos tópicos longamente abordado por Däniken em A História Está Errada. Cabe ao pesquisador embasar e compartilhar seus estudos em fatos, e aos curiosos e interessados, a menos que se engaje em alguma pesquisa científica, se ater àquilo que lhes cabe, o que aqui se pretende fazer: exercitar os pensamentos pela leitura e análise do livro. O livro Em A História Está Errada, Däniken retoma objetos e aspectos que tem sob foco desde o princípio de suas pesquisas e as primeiras publicações entre as muitas que escreveu, isto o leva de volta ao passado relembrando uma ocasião em que esteve visitando uma suposta ruína escondida em uma série de cavernas no Equador, onde uma biblioteca de metal esconde ensinamentos originalmente deixados em posse dos povos antigos, o povo hebreu especificamente, tal achado seria uma evidência do contato desse povo com os astronautas antigos. A expedição não logrou encontrar a biblioteca escondida, um pequeno fracasso que custou ao nosso Indiana Jones muitas críticas ao seu trabalho e o crédito de charlatão, de escritor sensacionalista. Isto esclarecido, se compreende por que ao retomar o assunto que em algum momento manchou sua reputação, Däniken busca dar uma resposta aos que lhe vem desacreditando e refutando suas pesquisas ao longo do tempo, talvez seja por isso que, em grande parte, A História está Errada se imponha de tal maneira, incluindo o título que contém uma das partes correspondente a metade do conteúdo do livro: Desmascarando os Charlatães. Como o próprio Indiana Jones em suas aventuras, Däniken também tem os seus concorrentes e opositores que tentam desacreditar ou usurpar suas descobertas no intuito de impedir que alcance o sua caveira de cristal, sendo este um aspecto que ele comenta, como um desabafo, ao longo de toda a obra, incluindo a crítica aos clérigos religiosos que contestam piamente qualquer associação de suas doutrinas com a teoria dos astronautas antigos. Na volta ao passado a sua excursão no Equador, o passaporte de Däniken se consiste em um manuscrito que veio a tona por volta da metade do século XIX por parte de um livreiro lituano chamado Michal Vojnicz: o Manuscrito Voynich (sobrenome de Vojnicz em inglês). Tanto a origem, o conteúdo ou mesmo o autor desse manuscrito, que teria sido adquirido pelo livreiro em um colégio jesuíta ao norte de Roma, permanecem um mistério. Supostamente, o autor do manuscrito seria Roger Bacon, frade e filósofo inglês do século XIII, que teria redigido seu conteúdo em códigos criptográficos para evitar sanções da igreja católica e a Santa Inquisição. Embora esse manuscrito nunca tenha sido completamente decifrado, tão pouco apurada a autoria de Bacon, ele contém ilustrações e glifos que, segundo as suposições de Däniken, seriam um índice ou um tipo de chave criptográfica para se traduzir o conteúdo da biblioteca de metal escondida no Equador. A evidência que relaciona o manuscrito com a biblioteca de metal leva o nosso Indiana Jones até o Padre Carlo Crespi (falecido em 1982), vigário de uma igreja católica em Cuenca, Equador, na qual uma rara coleção de artefatos em pedra e bronze apresenta alguns desenhos muito semelhantes aos encontrados no Manuscrito Voynich. Especulando se ali não se encontra a chave para encontrar a biblioteca de metal, Däniken questiona:
A resposta, entretanto, permanece indefinida, por outro lado, um olhar mais atento ao texto cifrado no manuscrito, para Däniken, ele contém elementos que ligam seu conteúdo ao Zodíaco e a constelação de Plêiades: dois elementos fundamentais básicos de várias literaturas e crenças antigas em sua relação com os deuses. Uma ilustração cujos símbolos emparelham nosso Indiana Jones com passagens de textos hebraicos coincidentes com o elemento central que evidencia a biblioteca de metal como peça chave na tese defendida pelo autor – Sim, Eram os Deuses Astronautas, título de outra obra do autor (EUA, Vega Books: 2001) – e, o mais importante, revela o suposto personagem autor dos escritos metálicos. O astronauta
No que tange o mais estrito sentido da teoria dos astronautas antigos, para Däniken, o seu astronauta é o personagem bíblico Enoch. Segundo a hipótese que sustenta, Enoch é o primeiro homem ou grupo de homens que viajaram pelo espaço escoltados pelos “deuses”, ou seja, pelos alienígenas que contataram nossos povos ancestrais, no caso, o povo hebreu. O uso de Enoch no plural é necessário por existirem múltiplas referências suas no texto bíblico em diferentes momentos, descrito como um “um rei acima de todos os homens que reinou por 243 anos” (Däniken, 2013: 43). Há quem considere Enoch uma linhagem familiar de várias gerações ou, como interpretam os cabalistas judaicos, se trata de um símbolo do povo de Israel que figura no período pré e pós o grande dilúvio – outra explicação (de base einsteniana) sob o óculo dos astronautas antigos seria que, ao embarcar e viajar com os alienígenas, a relatividade do tempo fez com que Enoch retornasse séculos no futuro em relação ao período que partiu. Reconhecidamente, Enoch aparece nos urtextos judaicos, um conjunto de livros anexos ao Torá conhecido como apócrifos, que fazem parte da literatura hebraica não catalogada no antigo testamento da bíblia convencional judaico-cristã. Dentre os pensamentos de Däniken, o livro de Enoch é a perfeita descrição de um contato alienígena, sua história apresenta similaridades e correspondências com diversos outros textos e personagens correspondentes a inúmeras religiões ou achados arqueológicos que o autor correlaciona ao longo não só do livro em questão, mas por toda sua bibliografia. Este artigo resume-se ao filé mignon que tange Enoch e sua relação com a biblioteca de metal escondida no Equador, o Manuscrito Voynich e o painel do padre Crespi, estas que são as palavras-chave ou pistas principais que o nosso Indiana Jones persegue para atender a hipótese de que a biblioteca contém ensinamentos repassados para o astronauta Enoch diretamente dos alienígenas. Enoch, assim como o povo de sua época, desprovia de um conhecimento capaz de compreender a cientificidade daquele contato, restando apenas interpretá-lo e descrevê-lo como divino. Pelas passagens bíblicas destacadas por Däniken em seu livro, Enoch pode ser interpretado como uma espécie de emissário do povo hebreu, quem teve o privilégio de intermediar o contato com os deuses-alienígenas, embarcar em sua nave, conferenciar diretamente com “Deus” – o alienígena que aparentemente chefiava a nave – e viajar pelas estrelas ao lado dele. Não obstante, pelos “deuses” foi incumbida a tarefa de registrar os ensinamentos lhe repassados, assim, muito mais que retratar o que vivenciou junto dos alienígenas, coube a Enoch a tarefa de gravar os conhecimentos ditados pelos mesmos através de painéis confeccionados em metal, esses que, segundo o mapa do tesouro percorrido pelo nosso Indiana Jones, compõem a biblioteca escondida no Equador. Seguindo essa linha investigativa proposta por Däniken, considerando o contexto religioso de seu astronauta, há de se esclarecer que, por diferentes vieses interpretativos, tanto o nosso Indiana Jones quanto os cabalistas enxergam as escrituras como uma narrativa histórica e não como mito, basicamente se diferenciando pelo primeiro buscar um prisma mais científico ao interpretar as escrituras antigas como um contato alienígena, enquanto os segundos se valem da fé para descrever a Cabala como uma revelação de Deus ao homem através do Torá – a escritura fundamental que marca o surgimento e a identidade do povo hebreu –, que contém os mandamentos judaicos. Assim, independentemente da natureza divina ou extraterrestre, uma das questões em jogo em relação à Enoch levantada por Däniken, especula se a biblioteca de metal escondida no Equador não seria o Torá propriamente dito, uma parte ou cópia antiga do mesmo. Nesse ponto, o leitor deve estar se perguntando como um texto gravado por um hebreu, povo que habitava a região do oriente médio durante o período anterior ao dilúvio, foi parar em uma caverna no Equador. Bom, é aí que o nosso Indiana Jonas esbarra em um obstáculo comum ao personagem da tetralogia cinematográfica: os seus concorrentes. E se na série cinematográfica Indiana Jones enfrenta conspiradores nazistas ou comunistas, Däniken enfrenta os “conspiradores” mórmons. Os antagonistas Todas as religiões possuem seus livros e suas origens, no caso dos mórmons, seus fundamentos remetem a um personagem chamado Jared, filho daquele que seria o último Enoch – “o sétimo patriarca” (Däniken, 2013: 52) –, e coube a esses descendentes assegurar a preservação desses conhecimentos, e que, baseando-se nesses próprios ensinamentos, teriam construído barcos de madeira e viajado até a América onde os esconderam. No entanto, não fica claro se o que foi ocultado em uma caverna no Equador são as lâminas de metal originalmente grafadas por Enoch, uma cópia ou mesmo uma escritura traduzida das mesmas. A descoberta dessa biblioteca poderia esclarecer a veracidade da história, mas, ao contrário dos filmes hollywoodianos, nos quais o herói vence seus antagonistas e encontra o tesouro, na vida real o nosso Indiana Jones chega atrasado, o Graal termina nas mãos de seus opositores e a verdade permanece um mistério. Uma excursão capitaneada pelos mórmons em 1968 teria estado no local anos antes de Däniken, especulando-se que teria encontrado e retirado as gravuras de Enoch de seu esconderijo milenar, entretanto, essa parte da aventura de nosso Indiana Jones acaba fugindo um pouco da hipótese que norteia sua busca, a questão que intitula um de seus títulos mais populares: Eram os Deuses Astronautas? (EUA: Souvenir Press, 1969), e se envereda pelo campo das conspirações, entre as quais, os mórmons aparecem como uma autêntica sociedade maçônica protegendo o segredo do cálice sagrado; de tribos indígenas, pajés ou gurus que contam ou mantém segredo de antigas lendas e charlatães que clamam o achado ou desdenham da existência das ruínas que escondem a biblioteca de metal – incluindo um expedicionário equatoriano que teria estado no local e levou nosso Indiana Jones até a entrada da caverna da biblioteca, mas que, posteriormente, veio a se descobrir se tratar de outra caverna ou outro acesso que não se relacionava a excursão original do equatoriano ou mesmo a realizada pelos mórmons, além de alguns relatos do fundador da religião afirmando ter estado no local e visto a biblioteca ainda no século XIX. Pensamentos e questionamentos Com o foco direcionado ao que nos propusemos abordar neste artigo logo em sua introdução, o que importa para esse texto reflexivo não gira em torno do ônus da prova, ou seja, se a biblioteca de metal existe ou não, ou se o Manuscrito Voynich e as peças do padre Crespi são referências dessas escrituras metálicas. Interessa-nos a direta interpretação dos urtextos bíblicos que contam a história de Enoch e as passagens que evidenciam seu contato e a viagem ao lado de seres alienígenas conforme a linha de pensamento seguida por Däniken, ou seja, a sua relação com a tese dos astronautas antigos. Depois de dissertar sobre o assunto ao longo de seu livro, o autor lista quais são as passagens bíblicas do próprio Enoch que evidenciam seu contato com alienígenas:
Estes são
os tópicos principais destacados pelo autor, no título em
questão, ao embasar sua defesa em prol da teoria dos astronautas
antigos. Entretanto, ao longo do livro e de sua obra completa, existem
diversos outros textos e artefatos, além do manuscrito e as relíquias
supracitadas neste texto, que se alongariam por páginas e páginas
se fossem listados.
Uma civilização tecnologicamente avançada o suficiente para dispor de “naves-mãe” ou “máquinas voadoras” – como se descreve no primeiro dos tópicos listados acima, quando Enoch é desinfetado e vestido com o que se supõe um traje espacial antes de embarcar na nave alienígena –, poderia facilmente confundir ou ludibriar uma cultura tribal, assim sendo interpretada ou representada pela perspectiva divina, ou, talvez, a referência bíblica do “homem como a imagem de Deus” nada mais seja do que uma descrição influenciada pelo deslumbramento de um povo arcaico perante outro extremamente complexo, cuja cultura e grande parte de seus conhecimentos se faziam ininteligíveis, sobrando a narrativa mítica como forma de perpetuar sua lembrança. Uma hipótese submergida Entre esses outros homens que habitaram a Terra antes dos hebreus e da própria história a partir da criação da escrita (o Cuneiformes do povo sumério datado de 3.500 a.C.), vem à tona a referência do continente perdido de Atlântida que, por sinal, Däniken menciona em sua obra se valendo dos célebres escritos do filósofo Platão como mais uma evidência de que, no passado, a Terra foi habitada por extraterrestres, todavia, desconsiderando a hipótese de que estes poderiam ser homens como os próprios hebreus – dois povos separados entre dois continentes como foram Europa e América durante os muitos séculos que antecederam o descobrimento do “novo mundo” a partir do século XV. Se partirmos do fato que os hebreus não possuíam conhecimento tecnológico ou vocabulário próprio para descrever os “deuses” ou “alienígenas” que os contataram, então poderiam facilmente confundir qualquer aparato, vestimenta ou veículo utilizado por um povo mais avançado, como uma manifestação de entidades divinas da mesma maneira que alguns povos indígenas americanos imaginaram ao se deparar com as naus dos exploradores europeus em um primeiro momento. Para um povo assim evoluído perante uma organização tribal, seria fácil conduzir uma farsa de que eles eram deuses vindos das estrelas, e não homens provenientes de outra civilização terrestre. E se indígenas americanos já viveram na Terra sem o mínimo conhecimento das sociedades européias há cerca de 500 anos, o mesmo não poderia ter ocorrido há cerca de 6.000 anos quando data o nascimento do povo hebreu? E, da mesma forma que se pode analisar as descrições bíblicas como um contato imediato, assumindo como fato não só a existência de vida extraterrestre inteligente, bem como que esta um dia esteve visitando ou habitando nosso planeta, porque seria tão inverossímil a hipótese de ter existido uma civilização humana avançada que coabitou a Terra no mesmo período dos hebreus? Essa civilização poderia ser Atlântida, cuja menção aparece não somente nos relatos de Platão, mas em várias literaturas antigas e textos religiosos sob diferentes perspectivas descritivas, além de existirem ruínas subaquáticas encontradas na região caribenha que podem um dia corroborar a sua existência caso surjam novas evidências – poder-se-ia dizer que esta seria uma hipótese concorrente a de Däniken, sendo amplamente defendida por outros estudiosos embora ainda não exista um conjunto de evidências factíveis que corroborem a existência do continente perdido, tão quanto – ou muito menos – a teoria dos astronautas antigos possui objetos empíricos que provem a proveniência do contato vivido por Enoch ser originário de outro planeta ou estrela. Por outro lado, se conjecturarmos sobre a existência de uma civilização humana com alto grau de desenvolvimento contemporânea ao povo hebreu, precisamos nos perguntar por que eles não ocupavam todos os continentes do planeta da mesma forma como hoje ocupamos, assim sendo, em algum momento estando em contato com os próprios hebreus ou seus predecessores. Com isso em mente, podemos especular se o povo hebreu que viveu antes e depois do dilúvio, como conta a narrativa bíblica, não foi o que restou de uma civilização antiga que sucumbiu perante um cataclismo de proporções planetárias – segundo a bíblia, o dilúvio. Nesse sentido, a narrativa de Enoch não estaria relacionada com um contato alienígena, seria sim a descrição de uma antiga civilização que estava, de forma genérica, abandonando a Terra. Com essa interpretação, Enoch seria um símbolo dos homens que conseguiram fugir de seu apocalipse buscando refúgio nas estrelas, em detrimento àqueles que ficaram para trás, assim lhes restando, da melhor forma que fosse possível, preservar sua memória e o máximo de conhecimento que antes dispunham frente ao holocausto que os reduziu a condição tribal novamente – e tudo isso tomando palco em nossa pré-história. Nesse sentido, seja pela teoria dos astronautas antigos ou das civilizações perdidas, talvez o erro não esteja em nossa história, e sim na lacuna de informações e registros do largo período que a precedeu (que se estenderia a 20.000 a.C.), exceto aquilo que foi transmitido de forma oral até que a escrita que hoje contam nossas origens se desenvolvesse tal como a conhecemos e classificamos. Esse “apocalipse”, o dilúvio, Däniken conjectura como uma ação dos alienígenas no planeta ou que estes dispunham de conhecimentos ou meios climatológicos capazes de prever tal acontecimento. Seguindo essa abordagem de pensamento, que perpassa a literatura hebraica com o olhar dos astronautas antigos, vimos que o autor assume o “sétimo dos patriarcas” como o seu Enoch – o seu astronauta –, que pertence a uma linhagem de líderes que perduram pelo período anterior e posterior ao dilúvio. Nesse contato com Enoch, seja este uma única figura, uma linhagem de patriarcas ou um símbolo de Israel, os “deuses” avisaram os hebreus da vinda do dilúvio conforme rezam as histórias de Noé, quem construiu uma arca para que seu povo sobrevivesse ao holocausto aquático antevisto – há de se considerar se o errado dessa história estaria apenas no pressuposto de que foi vivida por homens, de refugiados de tal holocausto, o que explicaria o fato desse povo antigo, na medida do possível, ter salvo seus conhecimentos, pois queriam perpetuá-los frente ao declínio e desaparecimento da própria civilização. Se esta civilização foi Atlântida, não se sabe, por outro lado, existem mais evidências arqueológicas que batem com a hipótese da existência de culturas pré-históricas do que com a visita de seres extraterrestres ao nosso planeta. Gadgets alienígenas Uma reflexão sobre outros fatos destacados por Däniken na lista citada acima corrobora a interpretação de que Enoch teria contatado outra civilização humana, e não Deus ou extraterrestres. Por exemplo, a “caneta de escrita rápida” mencionada pelo autor: se imaginarmos que um homem atual contatasse um escriba ou filósofo do século XVI ou XVII, que escreviam com tinta e pena, e lhe apresentasse uma caneta BIC, esse escriba ou filósofo poderia descrevê-la como uma “caneta de escrita rápida”. E se a caneta de Enoch podia escrever em painéis de metal, talvez ela não fosse muito diferente das que se vê hoje, por exemplo, na final de um evento esportivo quando o nome do campeão é grafado em placas de metal junto à taça pouco antes de premiá-la ao vencedor. Outra passagem
destacada por Däniken a qual se vale para sustentar a defesa em relação
à teoria dos astronautas antigos, faz referência a uma peça
de pedra encontrada em uma ruína nos Andes peruanos a 3.180 metros
do nível do mar, o templo Chavin de Huantár (Däniken,
2013: 200) cuja construção é atribuída aos
ancestrais dos mórmons. A peça, Stela Raimondi
(Däniken, 2013: 203), disposta no Museu Arqueológico de Lima,
contém entalhes que, segundo análise de um engenheiro, Wolfgang
Volkrodt, o que uns interpretam se tratar de imagens ou símbolos
ligados a cultura e religião antiga, ele entende como uma planta
técnica de um engenho muito similar a uma máquina a vapor
com “lâminas de catraca, pistões rotativos, alavancas,
molas e juntas de bola” (Volkrodt, 1991: 205 apud Däniken,
2013: 200). Querubins, geneticistas ou estupradores? Uma menção de Däniken destaca a seguinte conduta dos astronautas antigos durante seu contato com os compatriotas de Enoch, que vai ao encontro da hipótese destes serem simples homens:
Embora o entendimento da passagem acima seja bem claro, há quem os entenda de diferentes maneiras: os religiosos interpretam os seres divinos que copularam com mulheres como querubins, como os que fertilizaram as filhas de Adão e Eva, por exemplo. Da mesma forma, o livro de Enoch descreve uma relação entre mulheres e deuses, sendo estes personificados por querubins ou anjos caídos, dado que no contexto de sua história tal contato teria acontecido à revelia de Deus (ou o chefe da nave alienígena conforme interpreta Däniken). Há também os partidários da teoria dos astronautas antigos, que interpretam tais passagens bíblicas como uma descrição figurada do que seriam experiências genéticas conduzidas pelos alienígenas com os “espécimes” humanos que habitavam a Terra nos tempos antigos, e que a nossa atual compleição física como espécie seria o resultado dessas experiências passadas. Todavia, se analisarmos tais descrições, levando-se em conta apenas o que se sabe a respeito da história e do comportamento do Homem no avanço de sua civilização, não há como deixar de interpretar tal passagem comparando-a com fatos que conhecemos muito bem. São histórias de homens brancos copulando com ou mesmo estuprando índias dos povos tribais que encontravam em seu caminho, que recheiam os livros de história da colonização da América e outros continentes. Definitivamente, um estrangeiro que gera filhos em povos tribais é uma atitude que conhecemos bem, uma atitude típica do homem e que não podemos atribuir a deuses ou alienígenas desconsiderando a nossa própria natureza e história. Outro achado da coleção de Crespi que apresenta indícios de um cruzamento genético dos hebreus com os “deuses alienígenas”, fosse por cópula ou manipulação genética, está em uma peça de metal em forma discóide (Däniken, 2013: 30) que se apresenta “decorado com espermatozoides estilizados, sóis sorrindo, o crescente de uma lua minguante, uma estrela grande e dois quadrados com faces semelhantes a do homem (Däniken, 2013: 31)”. Os sóis, espermatozoides e faces humanas aparecem em pares, uma possível representação de dois povos ou espécies, dois grupos cromossômicos e um casal: o que demonstraria o conhecimento antigo em relação à biologia reprodutiva humana sob a perspectiva de um povo antigo que não detinha os meios para sabê-lo durante a nossa pré-história. Entretanto, se considerarmos que essa peça realmente seria uma evidência do contato de Enoch e seu povo com os “deuses alienígenas”, o fato de retratar a sabedoria em torno da fecundação humana ou mesmo da existência de suas respectivas cadeias genéticas, sobretudo, primeiramente, há de se pensar que não retrata um conhecimento que o homem não seria capaz de desvendar – como nós na atualidade ou, hipoteticamente, outros homens de equivalente perspicácia no passado pré-histórico. Mensagem continuada Por fim,
há outra consideração a se levantar antes de lançarmos
a nossa reposta em relação ao título da obra de Däniken
e darmos o nosso parecer em relação à história
estar errada, como afirma o autor, ou não. Uma consideração
do próprio autor em um tópico por ele intitulado “Uma
interpretação alternativa”, levanta a seguinte questão:
“Como avisar nossos descendentes, daqui a 10.000 anos, sobre os
perigos de um de nossos lixos nucleares? (Däniken, 2013: 185)”.
Essa é uma questão contemporânea que, dada a suposição
de que a linguagem não será mais a mesma com o avançar
dos séculos e milênios, derivou em um amplo estudo semiótico
para recomendar a criação de sinais de aviso em forma de
símbolos e gráficos incluindo imagens mortuárias
de criptas, além de especular sobre uma série de avisos
alternativos dispostos próximos as áreas de dejetos e a
necessidade de se transmitir o significado desses avisos ao longo do tempo,
até mesmo a criação de um sacerdócio atômico
foi sugerida – exatamente como teriam feito os “deuses-alienígenas”
ao transmitir seus conhecimentos aos povos antigos e enfatizar a necessidade
de perpetuá-los, o que tomou cabo por meio das crenças religiosas,
é o que implica o autor em seu questionamento.
Tomando esse questionamento do autor e partindo do pressuposto de que as pistas levantadas por ele descrevem um contato alienígena ocorrido com o povo hebreu, que, posteriormente, foi trazido para América por seus descendentes. Coube a Enoch e as gerações de patriarcas por ele representados perpetuarem o conhecimento dos “deuses-alienígenas”, sendo a religião a instituição que fez navegar esses ensinamentos, que datam de 3.700 a.C. aproximadamente (mais ou menos o período em que Deus criou o universo segundo o velho testamento), até os dias atuais. Sabe-se que os povos antigos não tinham conhecimento científico e nem vocabulário para compreender ou descrever precisamente os ensinamentos que lhe foram passados, então que outra opção eles tinham para cumprir a missão que lhes foi dada se não passar de pai para filho tudo que sabiam, além de tentar preservar as escrituras que dispunham mesmo que não pudessem traduzi-las para um linguajar que hoje pudéssemos interpretar conforme desejavam seus mestres (fossem esses deuses, alienígenas ou homens). O detalhe que nos faz supor se tratarem de homens revela-se quando o homem se depara com uma problemática similar nos dias atuais, ou seja, um objeto de análise que existe no âmbito dos limites da capacidade que hoje dispomos, por mais que não se consiga decifrar corretamente as mensagens do Manuscrito Voynich ou a planta da Stela Raimondi, e a tal biblioteca de metal escrita por Enoch nunca ter vindo a público. Poderíamos simplesmente abordar essa questão com um exercício de reflexão: se uma catástrofe ocorresse em nível planetário e a sociedade humana atual fosse reduzida a esporádicos sobreviventes ao redor do mundo, ou seja, uma tragédia nas mesmas proporções do dilúvio conforme contam mitos de várias religiões. A estes sobreviventes, não haveria como religar uma hidrelétrica ou manter ativo um sistema de abastecimento de água, todos retornariam a uma condição tribal de existência, obrigados a caçar, plantar e fazer fogo para sobreviver. Como esse povo contaria e perpetuaria a lembrança do mundo que foi destruído? Quanto sobraria para contar, quanta informação se perderia? Ao longo do tempo, das gerações, como soariam as histórias desse mundo perdido? De um tempo em que existiam aviões no céu e foguetes navegando para lua? Talvez soasse como algo divino e, posteriormente, antes que se descobrissem evidências desse mundo perdido por parte de outra civilização que por acaso viesse a prosperar, se imaginasse que tais descrições fossem de uma espécie alienígena que um dia esteve na Terra em contato com o homem, e se assim pensassem e narrassem a sua história, ela estaria errada. Últimas considerações Compreendida a nossa reflexão em torno da proposta de Däniken pelo título de sua obra, é preciso destacar que a história está correta, um tanto quanto distorcida talvez, mas, ao que tange os relatos bíblicos, por mais que lancem mão de uma linguagem mítica sob os parâmetros atuais da cientificidade e metodologia hoje utilizada: perfeitamente factível – há de se separar o joio do trigo em certas reedições ou compilações dos textos religiosos ao longo dos séculos, é bem verdade –, e, até, de se enaltecer o trabalho realizado pela religião em manter esses conhecimentos acessíveis até a contemporaneidade, entendendo que talvez não houvesse outro meio de fazê-lo que não fosse pela dogmatização dos mesmos. O próprio livro de Enoch destaca que os conhecimentos a ele passados somente seriam plenamente compreendidos pelas gerações futuras, assim sendo, nesse momento, cabe a ciência analisar e explicar esse legado de forma empírica longe do cabresto religioso ou outro qualquer, incluindo ela própria. Dizer que os cabalistas estão errados por atribuírem aos deuses o que seria, na verdade, um contato imediato com uma civilização extraterrestre é se substituir o dogma religioso por outro de base científica sem respeitar a característica que faz da ciência o único caminho para a revelação factual dessa passagem histórica: o método. Essa visão, antes de concluirmos que um dia deuses ou extraterrestres estiveram na Terra em contato com os povos antigos, urge descartar primeiramente a hipótese de que este contato tenha sido realizado por “outros homens”, por uma civilização perdida. Só assim poderemos saber se a história está certa ou errada. A parte final livro de Däniken compreende considerações do autor em torno das Linhas de Nazca, localizadas no Peru. Mais um dos conjuntos de pistas que o nosso Indiana Jones persegue no andamento da corrida pela caveira de cristal um dia deixada na Terra pelos deuses astronautas. Referências bibliográficas Atlântida,
os Relatos de Platão em Timeus e Critías in
http://profeciasoapiceem2036.blogspot.com.br/2010/09/atlantida-os-relatos-de-platao.html,
11/11/2013. 14 Dez 2014 |
|||
| Comentário(s) - requer uso de popup | |||
Jornalismo Introdução O veredicto final sobre a mais tradicional forma de jornalismo, ainda presente de forma massiva na atualidade, frente ao surgimento das mídias digitais na opinião de vários especialistas na questão: jornalistas, blogueiros e do sociólogo, ex-diretor do instituto de pesquisa Datafolha e atual diretor do institudo Agência Criterium Prof. Dr. Gustavo Venturi Junior (USP). Blogueiros e jornalistas “Essa questão gera ainda uma incógnita extremamente absurda”, diz o blogueiro Willians de Abreu do blog Willi Publi. Apesar da incógnita, a opinião entre todos os entrevistados é quase unânime em acreditar na manutenção do jornal impresso. Abreu acredita que “existe espaço para todas elas [mídias]”, porém, outros blogueiros entendem que, em algum momento, a Internet será a principal plataforma de mídia e jornalismo: “eu desejaria (...) que as revistas e jornais impressos passassem a ser a alternativa, sendo o produto original uma página virtual”, expressa Flávia Pegorin do blog Garotas que Dizem Ni. A mesma opinião é compartilhada por Tiago Dória, autor de blog sobre tecnologia, quanto ao desaparecimento do jornal impresso, ele é contundente em afirmar que “não vai acabar”. Outros blogueiros preferem observar a lógica do mercado onde o jornal e a Internet teriam os seus nichos específicos: “os jornais perderão um pouco da fatia de mercado e muitos se restringirão à Internet (...) vão se complementar e encontrar os seus nichos de atuação”, prevê Carolina Terra, do blog RPalavreando. Terra expressa a opinião mais comum dos blogueiros, eles acreditam na co-existência das mídias impressas e digitais, remetendo essa questão às teorias de Roger Fidler, que fala da mídiamorfose, com os meios se fundindo, se complementando e criando um novo contexto midiático, mas sem que alguma mídia específica tenha que de fato desaparecer. A jornalista e blogueira Lucia Freitas, do blog LadyBug Brazil, é uma das partidárias dessa idéia. “Está provado historicamente que os meios anteriores não desaparecem (...) a Internet e as novas tecnologias aumentam as possibilidades de acesso a conteúdos; criam novos usos, mas não invalidam os demais”, diz a jornalista. Praticamente com as mesmas palavras, o blogueiro Marcelo Andrade, do blog TicTacTec, faz coro a Freitas: “o surgimento de novas tecnologias não significa, necessariamente, o fim de outras”, afirma com veemência. Freitas acredita que o jornal impresso não desaparecerá, e sim que a concorrência da Internet acarretará mudanças no formato do jornal: O que eu acho que vai acontecer com o jornal é isso, uma mudança de formato, chegando quase ao formato de uma revista. O jornal standart é bom de ler na mesa do café da manhã, onde você pode apoiá-lo, dobrá-lo etc.. Novos formatos e tipos de diagramação são o futuro do jornal impresso, se esse formato vai ser tablóide, eu não sei, mas acho que o formato tende a mudar. A usabilidade (termo que usamos muito na Internet) do tablóide e dos formatos menores é muito maior que a do standart. Eu acho que no impresso, o grande caminho é a mudança de formato, entretanto duvido que os jornais brasileiros mudem de formato antes de qualquer outro país, porque aqui todo mundo é muito temeroso com qualquer tipo de mudança. Aqui tem-se muito medo de se bancar uma mudança dessas, que implica em investimento na mudança do parque gráfico, mesmo que no longo prazo isso signifique uma economia e um ganho para o jornal. Eles não sabem observar uma tendência, testá-la e aplicá-la. Essa é uma das características típica das empresas brasileiras que são empresas de família, mesmo que elas estejam hoje profissionalizadas. Com exceção da Globo, que é mais volátil às mudanças, afinal não é a toa que eles têm esse domínio todo. A usabilidade mencionada por Freitas é um fator também considerado por Pedro Villalobos, do blog Isso Mesmo!, dentro dessa “polêmica”, ele acredita na substituição do jornal impresso por uma página eletrônica, o e-paper: “O papel nunca vai deixar de existir, mas o jornal mesmo de papel talvez possa dar lugar a uma versão eletrônica que se atualize no decorrer do dia. Acessibilidade é tudo”. Já o casal Marcelo e Lyanne, do blog Vida de Viajante, entende a questão da acessibilidade às avessas, eles consideram a usabilidade do papel: “o jornal físico (papel): não acho que vai acabar por causa da Internet. Você não leva seu note ou palm pra praia pra ler as noticias que gosta. Leva o jornal”. Depende, há quem prefira levar uma prancha de surfe para a praia ao invés de qualquer tipo de leitura. Como esclarecimento, vale dizer que as entrevistas com os blogueiros, que agora apresentamos neste post, foram realizadas em dois rounds, o primeiro deles na Campus Party em fevereiro de 2008, e o segundo por intermédio de contatos de blogueiros dispotos em uma matéria da revista Imprensa de setembro de 2008. Apesar de nada mencionarmos nas questões que fizemos aos blogueiros no primeiro round, nós esperávamos que eles, de livre e espontânea vontade, atrelassem a questão do fim do jornal impresso (ou, ao menos, o fim da plataforma impressa), com o problema ambiental da atualidade. Achávamos que os blogueiros iriam ser os primeiros a defender a idéia de que a Internet é uma mídia mais ecológica do que o jornal impresso, porém, nenhum deles sequer chegou próximo a este entendimento. Sendo assim, no segundo round de entrevistas, nós induzimos os blogueiros a vincularem suas opiniões sobre o fim do impresso com a questão ecológica da atualidade. Entretanto, dos blogueiros entrevistados, apenas um manifestou a sua opinião levando em conta este problema, os demais simplesmente ignoraram a questão. Carolina Terra foi a única a relacionar a problemática ambiental em relação ao fim dos impressos, porém, em contrapartida, ela questionou o problema da sucata eletrônica gerada pelos dispositivos eletro-binários, considerando que além do “famigerado lixo cibernético”, como expôs, há muitos pontos que devem ser debatidos em todo esse imbróglio. A visão do Sociólogo Entretanto, dentre as vozes a que demos ouvidos para esta pesquisa, está naquela que possui mais peso a percepção de que o jornal impresso desaparecerá, sendo gradualmente substituído pela Internet e os novos dispositivos eletrônicos móveis: a voz do sociólogo Gustavo Venturi Junior. Além de, por livre e espontâneo manifesto, acreditar que o fim dos impressos seja algo positivo para o meio ambiente, Venturi Junior crê que o jornal está conseguindo sobreviver mais do que se esperava: Não está muito claro o quanto que os veículos impressos vão sobreviver. Eu acho que seja uma questão de tempo, talvez a sobrevida deles seja maior do que se imaginou num primeiro momento, mas eu acho que dentro de duas décadas exista muito pouco em termos de jornal e outros materiais impressos, o que vale para os livros também. A tendência é essa, você agride menos o ambiente, você não precisa de uma produção tão grande de papel. Além do problema ambiental, Venturi Junior enxerga nos hábitos das novas gerações um indicativo para o fim da plataforma impressa: E, mais do que isso, estão surgindo gerações para as quais o meio digital é muito familiar, que não vão ter as dificuldades de adaptação que as gerações anteriores ainda têm. Eu lembro que teve uma época em que lançaram um software que você lia o jornal no micro e quando você virava a página ele fazia um barulhinho de página virando, para que as pessoas tivessem a sensação de que estavam manuseando o jornal impresso. Mas isso é uma necessidade de quem cresceu lendo o jornal no papel. Apesar dessas declarações, Venturi Junior entende que, mesmo relegado a um segundo plano, o impresso continuará existindo, pois é um produto que possui muito apelo para as velhas gerações: “É claro que existem setores da população, principalmente setores mais velhos, em que o jornal impresso continue sendo uma referência importante e cultural por muito tempo, pelo menos até que as novas gerações cresçam e se tornem os principais consumidores”. O medo de mudanças mencionado por Freitas como um obstáculo ao fim do impresso não é uma questão que, no entendimento de Venturi Junior, irá alterar esse cenário. Ele se apóia no exemplo de grandes marcas do jornalismo mundial para elucidar esse ponto de vista: Você tinha o New York Times nos Estados Unidos que resistiu muito para fazer mudanças, para ter uma edição online, mas agora já tem, torna-se inevitável. Acho que vai ser uma mudança gradual, vai chegar um momento que, talvez por tradição, ainda se mantenha, em respeito a alguns consumidores mais antigos, a versão papel. Mas isso vai diminuir ao longo do tempo e a outra vai crescer. Vai chegar um momento que, operacionalmente, não vai mais compensar ter uma gráfica e manter todo aquele operacional que o jornal impresso demanda. É uma produção industrial que era a única alternativa, na medida que surge a Internet que é mais barata, ela tende a se tornar a opção. Mencionando o cenário norte-americano, onde atribuímos a maior penetração da web no país como um dos principais vetores para a queda das tiragens dos jornais que se vê por lá, Venturi Junior acredita que o mesmo poderá acontecer por aqui, na medida em que a Internet for se desenvolvendo e alcançando públicos mais amplos. Isso é curioso, de fato a crise lá foi maior, talvez por causa disso. A penetração da Internet lá é muito maior e o crescimento foi mais rápido. Aqui no Brasil está crescendo muito, na América Latina é o primeiro ou está entre os primeiros, mas comparado com os Estados Unidos, creio que isso fez diminuir a queda de vendas dos jornais por aqui. Acho que houve até um ganho, se recuperou um pouco das tiragens que vinham despencando. Mas creio que isso foi um soluço no meio de uma tendência que é de queda, vai ser difícil os jornais se manterem como estão. No médio prazo a tendência é cair. Outra mudança significativa apontada por Venturi Junior, e que deve alterar o cenário da mídia brasileira como um todo, inclusive podendo se reverter num fator de extrema influência dentro da questão do desenvolvimento e crescimento da web e, por conseqüência, levar ao fim da plataforma impressa é a convergência. Venturi Junior comenta a legislação brasileira do setor, e entende que ela tende a mudar de forma a abraçar o capital estrangeiro: Você tem dois movimentos muitos fortes, recentes. Um é a fusão de empresas de um modo geral, a gente tem assistido a grandes fusões nos últimos tempos, e isso vai desde siderúrgicas até empresas aéreas, de cerveja, do que você quiser, de qualquer área, todos os ramos estão passando por isso. O Brasil tem uma legislação restritiva ainda, que diz que empresas de comunicação se limitam a cerca de 20% de capital estrangeiro. Isso vem sido discutido, é um limitador que vem segurando muito as companhias desse setor. Aparentemente é um movimento que é difícil de segurar, vai ter muita pressão para se mudar essa legislação no curto prazo, abrindo portas para o capital estrangeiro. O capital circula livremente e vai a busca das melhores alternativas em qualquer parte do mundo, o Brasil é um mercado atraente, e esse capital vai querer entrar aqui. Tem conseqüências evidentemente, essa legislação, não tenho certeza se ela é de origem ainda da época da ditadura militar, mas ela é nacionalista, ela refere-se um pouco aos conteúdos, que vai fazer a cabeça das pessoas e coisa e tal, de certa forma é uma defesa aos valores culturais, da nacionalidade. Mas o mundo está cada vez mais globalizado, a Internet tem muito a ver com tudo isso. (...) Dessa forma, creio que essa legislação dentro em breve deve ser considerada obsoleta e vai se abrir o capital para outras coisas, isso em termos gerais. E, por fim, Venturi Junior percebe que a convergência não é um fator ligado somente ao capital. A questão do capital está, também, atrelada com a própria mídia em si, que hoje gravita em torno do bit. Ele expõe: Outro detalhe, que se relaciona com os meios de comunicação e a produção de conteúdo, é aquela questão da fusão, da convergência dos meios, aquela idéia de que em muito pouco tempo a gente não vai ter uma televisão aqui e um computador ali, vai ser tudo um aparelho só. O celular que vai ser ao mesmo tempo computador e TV, isso gera, para os meios de comunicação, uma disputa muito grande. Quem está na área de telefonia quer entrar na produção de conteúdo, e quem está na produção de conteúdo, quer entrar dentro dessa área dos meios diversos. É uma aposta que muita gente está fazendo, e vai ter muita mudança nesse sentido, com fusões, e o capital vai buscar essas oportunidades, quanto a isso eu não tenho a menor dúvida. Considerações Finais A fusão do capital aliada à fusão dos meios é um indicativo de que novas formas de acesso à informação e à notícia comecem a tomar o palco geral da mídia. Dessas fusões, surge o ramo das Comunicações, sendo tal ramo o resultado da fusão dos setores da mídia, das empresas de telecomunicações e das empresas de tecnologia. Pode-se entender que tal movimento favoreça novas formas de interação com o mundo da comunicação que, majoritariamente, tenham como base as redes computacionais e as novas tecnologias binárias. Tal movimento também é um indicativo de que o jornal impresso, embora ainda não tenha desaparecido, está na berlinda – sem cadeira para sentar –, à mercê das Comunicações, aquela que deliberará o seu veredicto final. Referências Bibliográficas: COSTA BISNETO,
Pedro Luiz de Oliveira. Internet, Jornalismo e Weblog: a Nova Mensagem.
Estudos Contemporâneos de Novas Tendências Comunicacionais
Digitais. Dissertação de Mestrado. São Paulo:
Faculdade Cásper Líbero, 2008.
|
|||
Convergência Digital A história da Internet reserva um capítulo especial para a figura do Sir Timothy John Berners-Lee (figura ao lado), o feito desse cidadão londrino lhe confere tal honra: a criação da World Wide Web. A idéia trabalhada por Lee junto a sua equipe de engenheiros foi simples: adicionar o conceito de hipermídia para troca de informações na Internet. Assim desenvolveu um novo protocolo de comunicação, o HTTP, o protocolo de hipertexto (em 1990). Daí para a invenção do HTML – a linguagem de hipertexto – e do primeiro browser foi um pequeno passo para Lee, mas que para muitos foi muito maior para a humanidade do aquele dado por Neil Armstrong em 1969 no solo lunar. O ato heróico de Lee, no entanto, não está em sua invenção, e sim no fato de abdicar de sua patente, tornando-a de domínio público. Web 2.0 A Web 2.0, ou seja, o segundo capítulo dessa novela, é a extensão do HTML no código XML – Extensible Markup Language –, linguagem que segue os mesmos padrões do HTML, mas permite uma infinita gama de programações que vai muito além de seu estático predecessor e, dessa forma, amplia e facilita a exploração de todos os recursos interativos da web. Hoje, muitos se deram conta de como essa extensão do código HTML vem beneficiando o diálogo na Internet, muitos usufruem o XML sem ao menos se dar conta. Um estudo do mestre em Comunicação e Semiótica José Renato Salatiel (PUC-SP), revela onde está essa inovação:
Como se esclarece, a chamada "web 2.0" está por toda parte, muitos a utilizam sem saber se tratar dela: nós já conhecíamos as ferramentas citadas acima, apenas não se sabia que por trás de várias dessas inovações, estava a linguagem XML, a Web 2.0. Mas, aquém dos nomes, sites, serviços etc. listados acima, o fator de maior relevância é entender a Web 2.0 como uma inovação que beneficia a convergência do usuário sobre a mídia digital e, acima de tudo, serve de patamar para produção colaborativa, constituindo-se em um vetor impulsionador da inteligência coletiva. Além do mais, tendo o XML como base da inovação, as demais inovações listadas são exemplos da convergência dos usuários sobre essa nova linguagem, de como eles se apropriaram desse recurso para criar novas formas de relacionamento e distribuição de informação e conteúdo pela grande rede. É por isso que se aponta a Web 2.0 como uma nova revolução para a comunicação – uma revolução dentro da revolução da Internet –, pois foi uma inovação que alavancou diversas outras no novo meio. Em um estudo no qual o doutor em Letras Mauro de Souza Ventura (USP) analisa as potencialidades interativas do hipertexto, ele conclui que há limitações, “já que o usuário, como observa Aquino[1], ‘não interage totalmente nas páginas, porque não possui total liberdade e flexibilidade de se manifestar’” (Ventura, 2007:6 citando Aquino, 2007). Já “na Web 2.0 a participação do usuário na escrita hipertextual é ‘levada ao limite’” (Ventura, 2007:6 citando Primo[2], 2006:84). O limite da Web 2.0 é a transposição dos limites da sua predecessora. Isso ilustra a mudança no patamar interativo trazido pela Web 2.0, pois a Internet ganha uma nova magnitude a partir dessa inovação. Web 2.5/3.0/4.0 Enquanto vivemos a revolução da Web 2.0, a mídia já veicula o termo Web 3.0[3], que seria o terceiro grande estágio evolutivo da Internet, na verdade, uma coevolução, pois se trata da mesma rede rodando sobre os mesmos protocolos. O primeiro estágio foi a própria criação da World Wide Web; o segundo, a Web 2.0, é, como comentamos, a flexibilização do código que permitiu uma maior convergência do usuário sobre a rede. O terceiro estágio, a "Web 3.0", seria a convergência de uma série de sistemas que visam organizar o fluxo de informações da Internet que, além de integrar diversos mecanismos e plataformas (inclusive as móveis), trará serviços de classificação e busca de informações altamente sofisticados. A Web 3.0 seria conhecida como World Wide Database, pois toda a sua informação seria relacionada como dado e não como documento (página web). Após uma estruturação e classificação da imensidão de dados disponíveis nessa Database[4] mundial, nós atingiríamos um patamar que abre para a “Web 4.0”, que seria o desenvolvimento de sistemas capazes de relacionar esses dados de forma inteligente, os agentes inteligentes – tecnologia de ponta capaz de analisar e relacionar dados e “aprender” com eles, hábil em trazer à tona informações valiosas para seus usuários indo muito além do que inicialmente se requisita, enriquecendo infinitamente qualquer pesquisa ou levantamento de dados. Esse seria o patamar apontado por vários estudiosos das redes de informação e futurólogos, como Nicholas Negroponte e Pierre Lévy, apenas para citar alguns dos mais famosos exemplos. Nesse estágio, colheremos os benefícios da inteligência coletiva. Hoje, nós apenas estaríamos construindo a base para essa inteligência e já nos beneficiando com o novo patamar comunicativo atingido durante esse processo. E, se a “revolução” da Web 2.0 é baseada no código XML, a Web Database é baseada no conceito de “semântica na rede”, ou “Web semântica”, proposto por Tim Berners-Lee[5] e seus colegas[6]. Web semântica Em palestra à Faculdade Cásper Líbero (SP)[7], o professor e tecnólogo Luis Joyanes (Universidade de Salamanca – Espanha) abordou o tema da convergência digital. Parodiando os jargões publicitários, ele se perguntou se o próximo estágio coevolutivo da web seria a web 2.5 ou web 3.0, o qual ele prefere chamar, mais corretamente, de web semântica. Joyanes entende essa coevolução como a própria convergência digital, e que perpassa por duas palavras-chave: a mobilidade e a interatividade. Dessa forma, a web semântica trará uma coevolução onde a web apresentaria um grau de conectividade e interatividade jamais sonhado, e estará disponível aos usuários em todos lugares, este sim, seria o significado maior do que ele entende como sendo a convergência digital. Notas: [1] Maria
Clara Aquino. Um resgate histórico do hipertexto. Em: http://www.compos.com.br/e-compos,
21/02/2007. Referências Bibligráficas: BENKLER,
Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets
and freedom. New Haven and London: Yale University Press, 2006. |
|||
Comentário(s) - requer uso de popup |
|||
Defesa
de Tese Dados Gerais Defesa de
Banca – Doutorado / Universidade de São Paulo Banca Examinadora: Exposição da Tese A apresentação do trabalho foi feita em PowerPoint e com a exibição de alguns vídeos, matérias do jornal televisivo mais conhecido do país, o Jornal Nacional – ou simplesmente, JN. A tese da aluna demonstrou que o jornal em questão teve um discurso tendencioso na cobertura jornalística das eleições presidenciais de 2002 e 2006, discurso esse que, assim como em 1989, tinha o objetivo de favorecer os adversários de Lula – Luís Inácio Lula da Silva, atual Presidente do Brasil – nas corridas presidenciais mencionadas. A doutoranda
Florentina iniciou sua apresentação contextualizando sua
pesquisa como fruto dos anos que trabalhou na redação do
JN, onde observou algumas rotinas que não a agradavam, estes fatos
foram o pontapé inicial que alavancou a sua tese de doutorado.
Esses fatos se referiam às pautas conduzidas pela direção
e o modo como esta eram impostas, a interferência na produção
e no texto dos repórteres e interferências na edição
de matérias. Para exemplificar essas interferências, Florentina
comenta um caso que vivenciou uma vez nas redações do JN.
Willian Bonner, redator-chefe do jornal, havia vetado uma matéria
de uma repórter sobre os “sem terra”, pois queria que
texto original da reportagem, onde a repórter se referia aos “sem
terra” como “ocupantes”, constasse o termo “invasores”.
Com a recusa da repórter em alterar o texto, a matéria foi
reeditada por ordem de Bonner e o áudio original sobreposto com
um novo onde aparecia a palavra “invasores”. Além disso,
Florentina queria saber como se dá a produção e a
escolhas das pautas na construção da linha editorial do
JN. Em 2002, o JN favoreceu o candidato do PSDB José Serra, adotando o discurso do tucano sob a abordagem econômica de que o “Brasil vai virar Argentina” (que naquela época vivia forte crise econômica). À medida que um candidato subia na pesquisas, ameaçando a posição de Serra e apontando para uma possível vitória de Lula ainda no primeiro turno, o JN passava a veicular matérias desfavoráveis a tal candidato. Como aconteceu com Ciro Gomes, onde o JN destacou algumas alianças de sua candidatura com políticos de imagem duvidosa, com ligações com parentes de Paulo César Farias e o próprio ex-presidente Fernando Collor de Melo. Em 2006, Florentina demonstrou que o JN veiculou diversas matérias desfavoráveis à Lula, sendo as de maior destaque, a série de reportagens sobre o famoso caso do “dossiê anti-Alckimin”, que atrelava Lula a um complô da venda de um falso dossiê com informações prejudiciais ao candidato tucano, o conteúdo desse dossiê, no entanto, era obscuro e foi pouco ou praticamente não reportado pelo jornal. A conclusão da pesquisa de Florentina determinou que, tanto em 2002, quanto em 2006, o tratamento quantitativo na cobertura jornalística dos candidatos à presidência da República foi equilibrado, mas o qualitativo não. Florentina demonstrou que o JN continua construindo “personagens” em cima dos candidatos de acordo com a sua linha-editorial. Comentários da Banca Examinadora As exposições da Banca Examinadora se iniciaram com as argüições da Professora Vera Chaia da PUC-SP, que fez quatro questionamentos básicos sobre a tese de Florentina:
Além dessas questões, Vera disse que faltou um embasamento teórico mais forte ao trabalho, criticou alguns itens tais como uma abordagem da aluna sobre o Jânio Quadros e complementou que faltou um pouco de leitura crítica sobre os depoimentos de seus entrevistados, dando a crer que confiou demais nas informações levantadas por esses, elogiou entretanto, as transcrições das entrevistas. Florentina respondeu às argüições de Vera justificando que algumas entrevistas que aparecem em sua tese foram feitas em um estudo preliminar sobre o assunto durante a sua dissertação de mestrado, daí a falta de análise. Sobre as questões (a) e (b), disse que no momento do “espelho” do JN, é Bonner quem faz o gatekeeper junto com Ali Khamel da editoria econômica, mas a última palavra é sempre de Bonner. Na Internet os textos são alterados e não correspondem aos originais do JN e tal prática seria um exemplo de como o JN esconde parte de seu discurso ideológico. Florentina enfatizou que Bonner hoje se preocupa mais com o Big Brother Brasil do que com o próprio JN. A questão (c), sobre Vianna, Florentina contou que ele recusou-se a assinar um abaixo-assinado onde diversos jornalistas atestavam a isenção do JN na cobertura do caso da empresa aérea GOL, e por isso Bonner o demitiu sumariamente. A segunda a argüir foi a Professora Ivete Roldão, da PUC-Campinas, que elogiou bastante a tese, considerando-a como um bom o trabalho, um texto gostoso de se ler, prazeroso e atual. A tese demonstrou “como” o JN faz as coisas (a parcialidade) que todos sabem que ele faz. O problema das entrevistas feitas por Florentina, que não constam na metodologia de pesquisa e no fim adquirem grande peso no trabalho – a utilização exagerada de Rodrigo Vianna – foi criticada por Ivete. No caso de Vianna, que havia acabado de deixar a Globo, faltou ouvir o outro lado, Bonner. A Professora Ivete, de um modo geral, concordou com as questões levantadas na tese de Florentina, onde o JN assume mesmo esse papel de desqualificar candidatos (tais como Rosiane Sarney, Heloísa Helena da Silva e Ciro Gomes) e ainda favorecer outros. Mesmo assim, apesar de toda a análise mostrada na tese de Florentina, Ivete perguntou se o JN não teria sido “brando” com Lula, afinal este, durante seu primeiro mandato, foi solicito na política da área da radiotransmissão, com a ABERT e a própria Globocabo. Para encerrar, elogiou bastante a análise de Florentina sobre o candidato Geraldo Alckimin e a construção positivista de sua imagem pelo JN. Sobre as argüições da Professora Ivete, Florentina fez algumas colocações pertinentes. Começou explicando que é muito forte a alcance da Globo e do JN no interior do Brasil, onde o telejornal é praticamente a única fonte de informação disponível e, nesse sentido, a Globo tenta mesmo utilizar a sua força na construção da opinião pública. Segundo Florentina, a Globo “abrandou” com Lula em 2006, assim como “cortejou” Alckimin, com o intuito óbvio de manter suas parcerias e quotas de propaganda governamental. No caso de Heloísa Helena, enfatizou que a postura do JN foi de buscar inconsistências na proposta de governo da candidata, explorá-las e cobrar isso dela, desfavorecendo-a. O JN simplesmente não teve a menor complacência com a candidata. Em relação à entrevista com Vianna, Florentina disse que Bonner se negou a dar declarações sobre as colocações do ex-funcionário. Após um breve intervalo, as argüições voltaram com a palavra do Professor Adilson Citelli da ECA/USP. Dirigindo-se à doutoranda de forma veemente, Adilson perguntou: Qual é a sua tese afinal? E complementou questionando se de fato o JN favoreceu ou não algum candidato? Afinal Lula vencera os adversários que teriam sido favorecidos pelo JN. Em seguida, Adilson questionou os núcleos organizativos do trabalho: no primeiro, histórico, identificou uma diacronia, achou-o muito panorâmico e ao mesmo tempo muito resumido. No segundo núcleo do trabalho, o da pesquisa de dados e entrevistas, disse que faltou análise qualitativa em relações teóricas e conceituais de forma a expandir mais a reflexão sobre os dados levantados, a análise feita foi insuficiente frente à quantidade de dados levantados. E exemplificou: faltou indicar algumas fontes e autores, faltou o embasamento e o uso da análise do discurso nas entrevistas, onde mencionou o caso de Bonner em relação aos “invasores” sem-terra . Adilson classificou tal núcleo do trabalho como uma “incompletude de informações”. Adilson ainda comentou o caso da candidata Heloísa Helena da Silva, onde colocou que a Globo haveria tangenciado a candidata para enfraquecer Lula e levá-lo para a disputa do segundo turno. Finalizou dizendo que, em sua opinião, o trabalho não responde se de fato a “Globo detonou o Lula ou não” e ainda questionou como teria sido a abordagem dos candidatos em outras emissoras. A aluna Florentina respondeu à Adilson colocando que o seu trabalho não teve muito aprofundamento na lingüística pois este não é o seu “forte”: a análise do discurso, seu trabalho foi mais empírico, de pesquisa de campo. Sobre o texto e as colocações, deu ênfase a sua formação jornalística, e a diversas observações feitas durante sua carreira, daí algumas “gafes” em seu trabalho (como o caso da novela “O Patriota” da Globo que aparece na tese e foi criticada por Adilson), em função disso, algumas vezes o trabalho acabou saindo das abordagens metodológicas. Nessa linha, Florentina justificou outros questionamentos políticos levantados por Adilson, tais como as eleições de Orestes Quércia em 74. A visão qualitativa, segundo ela, apresenta duplicidade de sentidos devido a própria duplicidade das amostras, muitas vezes, contraditórias. Enfatizou que não se propôs a fazer análise do discurso em seu trabalho pois não tem formação em lingüística. Quanto ao primeiro núcleo do trabalho, este foi resumido em função do material que possuía ser muito amplo, daí a “diacronia” apontada por Adilson. E, sobre a veemente questão colocada a respeito de sua tese, Florentina afirmou que “o JN tem papel fundamental influenciando as eleições”. As examinações da banca finalizaram após as argüições do Professor Luís Fernando Santoro da ECA/USP, que gostou muito do trabalho e colocou ênfase na visão jornalística da aluna como uma profissional de telejornalismo. Elogiou a metodologia do trabalho dado os fins do estudo. Discordou um pouco da tese proposta no trabalho: como o JN teria papel decisivo e pontual no pleito eleitoral que, na sua visão, sofre várias variáveis? Florentina então, teria valorizado demais o próprio JN, enquanto deveria levar em conta também, dados sobre a opinião pública. Para Luís Fernando , é impossível determinar o papel do JN na influência das eleições, somente a sua abordagem e o seu posicionamento. Enfatizou que é preciso analisar a repercussão das abordagens do JN. Segundo a leitura do trabalho, Florentina demonstra que “acha um absurdo o JN tomar partido das coisas”, mas isso é prática no jornalismo como um todo, Luís Fernando inclusive, mencionou que a frase “o jornalista tem o dever de ser imparcial” é algo que não desce à garganta. O Professor Luís Fernando terminou suas considerações tecendo algumas criticas, disse que o texto é um pouco impreciso, a aluna poderia ter incluído estudos de credibilidade da TV que hoje são comuns, ao invés de apenas dados de penetração como utilizou. Também criticou um pouco o referencial teórico da tese, mas elogiou a metodologia. Terminou dizendo que o trabalho não chega a uma conclusão e perguntou: a Globo determina o apoio ao candidato? Ou segue as tendências de pesquisas e outras mídias? Florentina centrou suas respostas às colocações levantadas por Luís Fernando na questão do entretenimento que sitia o jornalismo atualmente e também, numa das questões centrais da sua tese, a linha editorial do JN. O JN se coloca como imparcial, cumpre determinações do STE (como na questão do tempo dedicado à cobertura de cada candidato no jornal, que por lei, deve ser o mesmo para cada um), não assume uma posição de forma oficial, mas, na prática, sempre tende para um lado. A própria questão das fontes utilizadas pelo jornal, segundo Florentina coloca em sua pesquisa, não é feita de maneira adequada e se demonstra na prática como um instrumento que favorece a construção da ideologia e da linha editorial do JN. Nesse processo, o JN passa a ser tratado como um veículo de entretenimento – quando não deveria, enfatizou Florentina – utilizando-se do sensacionalismo e a criação de matérias “fabricadas”. Por fim,
o Professor Laurindo Leal da ECA/USP, orientador de Florentina, encerrou
os trabalhos da banca examinadora e fez algumas colocações
em cima da tese de sua orientanda. Colocou que a aluna trabalhou com um
objeto em movimento, levantou um material riquíssimo. Fez um trabalho
relacionado à sua vivência, o que as vezes acaba levando
à uma análise passional do objeto, o “vicio”
de uma prática profissional jornalística que se reflete
nesse estudo acadêmico de três anos. O trabalho escrito é
como uma grande reportagem de uma experiente jornalista. Após essas palavras, todos se retiraram do recinto para que a banca pudesse analisar o trabalho e chegar ao veredicto final, a sua aprovação. Deliberações Com toda platéia e a doutoranda fora do recinto, a banca examinadora deliberou por cerca de dez minutos e conclui as examinações aprovando o trabalho com as ressalvas levantadas. Foi a conclusão esperada para a felicidade de todos no recinto, em especial da, enfim, Doutora Florentina das Neves. Comentários Pessoais A apresentação da tese de Florentina das Neves foi muito boa, muito bem explicada e ilustrada, o assunto de sua tese foi deveras interessante e pertinente, além de ser controverso e polêmico. O seu objeto de estudo, o Jornal Nacional, é particularmente instigante, pois já vem sendo alvo de outros estudos no âmbito do curso de Mestrado da Facasper e, no meu caso, englobou discussões que haviam sido debatidas em aula do Professor Marcelo Coutinho , onde estudamos o JN em diversos casos, como na fraude eleitoral envolvendo Leonel Brizola no Rio de Janeiro, o caso das greves sindicais no ABC, a cobertura da Diretas Já, e a própria eleição de Fernando Collor. O assunto da tese de Florentina então, é como uma própria extensão e aprofundamento desses estudos cujas fontes estão nas referências deste relatório, é também a sua atualização dentro do contexto mais contemporâneo das recentes eleições presidenciais. Quanto às argüições da banca examinadora, foi muito interessante o debate como um todo, a questão política envolvida, a visão de cada membro e as respostas da doutoranda. Ficou claro que apesar das diversas considerações, o trabalho teve mais méritos do que objeções. Mais que uma banca de doutorado, a participação neste evento foi sem dúvida muito esclarecedora e interessante, principalmente devido a seu foco nos assuntos abordados no âmbito jornalístico das coberturas destes importantes eventos das sociedades democráticas que são as eleições. Assistir a banca de doutorado de Florentina limpou a imagem que tal tipo de evento seja “longo e cansativo”, ao contrário, foi muito tranqüilo e de fácil engajamento, o assunto ainda poderia render mais horas e horas de debate. Imagino que, assim como eu, outros membros da platéia ficaram tentados a fazer comentários sobre o assunto durante a banca. Enfim, foi muito proveitoso e tenho certeza de que a tese de Florentina das Neves poderá virar um excelente livro que, com certeza, leremos. Entrevista Após o término da banca e a aprovação da aluna, tive o prazer e a honra de ter uma breve conversa com a Doutora Florentina. Como eu comentei no tópico anterior, o Jornal Nacional, assim como a Rede Globo e a figura de Roberto Marinho, foram objetos de estudo em outras ocasiões no decorrer deste curso de mestrado. Dessa forma, coloquei algumas questões pertinentes a esses assuntos para a Doutora que trouxe valiosas informações. Florentina concorda que não houve mudanças na postura do JN em relação aos estudos que fez nas duas últimas eleições presidenciais e a eleição que favoreceu Fernando Collor em 1989, e ainda disse que a situação agora seria mais grave e perceptível pois aquela manipulação só veio à tona muito tempo depois. Lembramos que na eleição de 1989 a questão da escolha do candidato apoiado pela Globo, e a conseqüente construção da linha editorial da emissora, seguiam a vontade pessoal de Roberto Marinho. Marinho, de certa forma, assumia o poder que tinha e dizia que nunca hesitaria em usá-lo em prol de questões que, no seu entender, eram de interesse da nação brasileira. Perguntamos a Florentina como seria então, a escolha de um candidato pela Globo, após a morte de Marinho, se existia um “chefe maior”, quem seria? Florentina colocou que hoje não existe mais uma figura central, uma referência como era a figura de Roberto Marinho, existem os herdeiros sim, mas ninguém que detenha unicamente o poder na construção da linha editorial da Globo, incluindo o próprio JN, hoje isto estaria mais pluralizado. Porém, ao contrário da época em que podíamos atribuir o pensamento “ideológico” da Globo à Roberto Marinho, hoje isto estaria mais pluralizado e escondido, transparecendo neutralidade. No caso específico do JN, fica claro que Willian Bonner tem papel decisivo na construção da linha editorial do jornal, mas seu papel seria então, parecido com o de Alberico Souza Cruz em 1989 – o capataz de Marinho no JN – hoje porém, Bonner se reportaria à uma cúpula e não apenas ao “dono” como fazia Alberico. É essa cúpula que então, determinaria a linha editorial das Organizações Globo. Isso foi algo que em parte ficou demonstrado pela tese de Florentina e as reflexões que dela se implicam. A conclusão que chegamos é que pouca coisa mudou no posicionamento da Globo em relação à Sociedade desde 1989. A Globo continua então, a utilizar a sua concessão de radiotransmissão pública em prol de seus próprios interesses privados, como foi o caso demonstrado pela tese de Florentina Neves. Pós-Banca A banca de doutorado de Florentina das Neves voltou a ser assunto duas semanas após a sua realização, em aula do Professor Laurindo Leal. Como orientador de Florentina, Laurindo chamou atenção para algumas questões levantadas pela banca e a pesquisa que nós, seus pupilos e mestrandos, teremos que empreitar. Laurindo chamou atenção de duas coisas, a relevância da pesquisa, onde o ideal é que uma tese ou dissertação possa virar uma publicação, ou mesmo fomentar outros estudos e ser útil e/ou aplicável para a sociedade, neste ponto todos concordaram que a tese de Florentina dará mesmo um bom livro. Chamou atenção também para as fases da pesquisa: hipótese, revisão da literatura, coleta de dados, análise e interpretação. Dentre essas fases, a coleta de dados seria o filet mignon da pesquisa. A importância da literatura (Estado da Arte) está no fato dela apontar para quais dados serão necessários para a pesquisa. O cuidado da pesquisa deve estar na análise qualitativa dos dados, que é uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo que é importante, é perigosa, deve ser usada com muita “parcimônia”. No caso de Florentina, uma análise qualitativa dos dados levantados, as entrevistas, foi cobrada a “análise do discurso”, que requeria todo um referencial teórico da Lingüística, um terreno que sai do saber exclusivamente comunicacional, daí tornar-se “perigoso”, um terreno que Florentina não explorou e foi cobrada por isso, focou a sua análise de dados de forma quantitativa. Por outro lado, Florentina fez um discurso crítico em cima de seus dados mesmo sem o embasamento teórico lingüístico, como foi apontado pela banca inclusive, daí o cuidado que se deve ter, a parcimônia necessária para analisar os dados de uma pesquisa, pois como bem colocou o Professor Laurindo, “não se faz ciência sem crítica, sem duvidar”. Outras pontos debatidos nesta ocasião foram as questões políticas do objeto de estudo de Florentina, suas implicações em relação ao poder público, o mal uso de concessões públicas, o “quarto poder”. Assuntos de relevância dentro do contexto do debate maior que envolve mídia, poder e ética. Referências CONTI, Mario
Sergio. Notícias do Planalto – A Imprensa e Fernando
Collor. São Paulo: Cia das Letras, 1999. Filmes e Documentários 50 Anos
de Brasil – Não verás país nenhum como este.
Dir. Cruz, Selma Santa, Mello e Sérgio Motta. Bank of Boston: São
Paulo, 2000. |
|||
Comentário(s) - requer uso de popup |
|||
| Este
blog requer uso de popup (janelas flutuantes) |
|||